Evento reunirá líderes mundiais e especialistas para discutir transporte, custos e infraestrutura.
A 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima (COP30) será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém (PA). Esta é a primeira vez que o encontro ocorre no Brasil, na região amazônica, e a expectativa é de mais de 40 mil participantes entre líderes mundiais, cientistas, ONGs e representantes da sociedade civil. O setor logístico está entre os eixos da agenda do evento.
Para Fabiano Lorenzi, CEO da Norcoast, empresa de navegação costeira, a conferência será espaço para debater entraves estruturais e estratégias de transporte. Ele destaca três pontos principais: infraestrutura ineficiente, desequilíbrio da matriz de transportes e altos custos operacionais.
Segundo Lorenzi, o baixo investimento em infraestrutura torna o sistema logístico caro e vulnerável a crises climáticas. Em 2024, os gastos com transporte superaram R$ 940 bilhões, alta de quase 7% em relação ao ano anterior, de acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS).
O especialista também aponta a dependência do transporte rodoviário, que responde por mais de 65% das cargas no país, segundo o Plano Nacional de Logística 2025. Ferrovias, hidrovias e a navegação costeira seguem pouco exploradas. “A multimodalidade é essencial para tornar o sistema mais eficiente e adequado às distâncias do território brasileiro”, afirma.
Outro desafio citado são os altos custos operacionais, influenciados por combustíveis, manutenção, mão de obra e falta de otimização de rotas. No Brasil, esses custos chegam a ser o dobro dos observados em países como os Estados Unidos. Lorenzi defende que investimentos consistentes em infraestrutura e incentivo ao transporte multimodal são fundamentais para reduzir despesas e aumentar a competitividade.
CFM
